América do Sul Bolívia

BOLÍVIA: Um contraste entre cultura, pobreza e belezas naturais

Fayson Merege
Escrito por... Fayson Merege

A pobreza na Bolívia é bem exacerbada. Logo que você chega à rua se depara com vários pedintes e moradores de rua. A miséria ainda é recorrente no país e vista facilmente em várias cidades (principalmente em La Paz e Sucre). Quando falo em miséria, não estou falando das pessoas pobres, mas das que passam fome. É uma realidade triste de se ver…

Embora a Bolívia seja o país mais pobre da América do Sul e entre um dos mais pobres do mundo, ela sempre me encantou pela cultura do seu povo, costumes, paisagens exóticas e cheias de aventura e dificuldades. Por não apresentar uma estrutura de “luxo”, é normal encontrar vários viajantes no “estilo mochileiros” que buscam aventura pelo país abrindo mão do conforto.

Mas deixa eu te dizer algo que talvez você não saiba. A Bolívia que faz divisa com Paraguai, Argentina, Peru e Brasil traz um vasto cenário com montanhas altíssimas e geladas, planícies tropicais, o lago mais alto do planeta (o lago titikaka) e de quebra, a capital mais alta do MUNDO. Tudo isso sempre me chamou a atenção e eu voltaria quantas vezes necessárias para conviver com esse povo que, embora viva com a dificuldade da pobreza, é um povo solidário e trabalhador.

Vou dividir esse relato brevemente em 3 partes: Cultura – Pobreza – Belezas Naturais

1. Cultura

Você sabia que a Bolívia possui 37 idiomas oficiais faladas pelo seu povo? Os principais são o espanhol, seguido do quíchua, aimará e ainda tem mais 34 línguas indígenas. As principais coisas que me chamam a atenção no país é a sua arte, música e claro, a vestimenta das mulheres bolivianas cheias de cores. Por falar em música, como é lindo o som da flauta e instrumentos de sopros que só eles sabem tocar. Sou apaixonado em ouvir para meditar e relaxar.

Foto: Fayson Merege

Se você quer mergulhar na cultura do país, sugiro ir ao carnaval de Oruro. É uma festa incrível cheia de dança, rituais, homens mascarados e mulheres bailando lindamente. Tanto que o “El carnaval de Oruro” é considerado como Patrimônio cultural da UNESCO.

A tradição boliviana conjuga influências na música e dança pré-inca, espanhola e amazônica. As diferentes regiões do país produzem distintos tipos de músicas, como por exemplo, o frio dos Andes que contrasta com o colorido provocado pelas terras temperadas de Tarija. Pra encerrar essa breve descrição sobre a cultura, é impossível não falar sobre a artesania. Eu particularmente sou encantado e me impressiono com a riqueza das cores e o minucioso trabalho das comunidades andinas. E mais incrível ainda, são os souvenirs que eles fazem com o sal no Uyuni. É simplesmente incrível.

 

2 – Pobreza

Essa sem dúvida é parte mais difícil para se falar sobre. Doi meu coração em lembrar algumas cenas que presenciei, principalmente por ser fotógrafo de viagem/documental. A cada click era um conflito interno: “é certo fotografar?” Enfim…

Foto: Fayson Merege

 

Se você tem um coração mole igual ao meu, provavelmente você teve vontade de chorar diante de algumas situações presenciadas nas ruas bolivianas. As cenas que mais cortavam meu coração eram as que envolviam crianças. Crianças (especificamente meninas) bailando em troca de uns trocados nas praças. Meninos de 7/8 anos fazendo malabares no sinal ou vendendo doces/chaveiros/lembranças aos turistas em restaurantes. Cidades como Sucre (Capital Provincial da Bolívia) e La Paz (atual Capital) essas cenas são mais nítidas e encontradas em cada esquina.

Fazer fotos que retratassem essa realidade foi difícil. As mulheres não gostam de ser fotografadas (mesmo que seja pra fazer um retrato) e quando deixam, pedem “propina” (alguns bolivianos de agrado). Eu sempre ficava com medo de ser xingado ou ser pego no flagra por algumas delas.

O país ainda está em desenvolvimento e embora tenha diminuído a pobreza nos últimos anos, ela atinge cerca de 60% da população. E em meio a tudo isso, por incrível que pareça, a Bolívia é rica em minerais, principalmente em estanho. Tanto que Potosí ainda mantém uma mina ativa e no século XVII, metade da prata que circulava no mundo saia da cidade. Mais de 500 anos de exploração se passaram, a prata se esvaiu e hoje vemos as marcas do passado pelas ruas empoeiradas.

 

3 – Belezas Naturais

Se você chegou até aqui, espero que não tenha desistido da Bolívia, pois vou lhe apresentar bons motivos para você arrumar sua mochila e desembarcar no país na sua próxima viagem.

Foto: Fayson Merege

 

Eu não esperava que a Bolívia me reservasse uma montanha a 5435m de altitude para subir. Quando soube da montanha Chacaltaya logo busquei informações de como chegar até ela. Acabei fechando com a Altitude Adventure o tour de 15 dólares (que ainda incluía a visita no Valle de lá Luna). Mesmo tendo ido em fevereiro, ainda encontrei algumas partes com neve! Tive a “sorte” de pegar um dia quente, com um sol forte e nada de chuva. No pico mais alto (foto) é possível ver La Paz ao fundo e a montanha Huayna Potosí (6088m).

Huayna Potosí ao fundo – Foto: Fayson Merege

Com certeza você já ouviu falar de Copacabana – Bolívia e sua mágica Isla del Sol não é mesmo? Pois se você planeja sua viagem acrescente 1 ou 2 dias para dormir na ilha e vivenciar a cultura local e comer o tradicional prato típico: a trucha (um peixe que vive em água doce e é delicioso)

Não sei se você sentirá o que eu senti quando caminhei pela ilha, mas, dizem que ela é mágica. E de fato senti esse clima místico na caminhada que fiz entre o lado sul e lado norte. Eu cheguei com a expectativa enorme para fotografar o céu estrelado (alguns amigos me disseram que era o céu mais estrelado que já tinham visto na vida). Porém, eu fui em fevereiro (que é um período de chuva) e confesso que tive certa decepção em não realizar aquilo que havia planejado. O que não eu não esperava, era ter feito uma foto totalmente diferente de todas que já vi na Isla del Sol. Saca só essa foto que consegui fazer.

Foto: Fayson Merege

 

Estava eu, Henrique (brasileiro) e Enzo (chileno), amigos que fiz durante a travessia de barco até a Isla e acabamos ficando juntos 2 dias. O hostel que ficamos tinha uma vista linda para o lado sul e o sol nos acordava por volta das 6:30am raiando em nossa janela.

Sol começando a nascer às 6h – Foto: Fayson Merege

 

Nossa vista para o lago ao tomar nosso café da manhã. – Foto: Fayson Merege

 

Foto: Fayson Merege

Embora também não tenha pegado o pôr do sol com o tempo aberto, olha essas cores e essa silhueta. Mesmo com o tempo nublado e cheio de nuvens, o sol apareceu quase às 19hrs e trouxe essa explosão de cores entre o amarelo, vermelho e laranja. Todo esse cenário trouxe um sentimento de serenidade e harmonia. Para alguns, o lado norte é mais bonito que o sul. Pra mim, toda a ilha tem seu encanto, sua singularidade e suas particularidades.

Acredito que a aventura mais radical na Bolívia seja fazer a descida da DEATH ROAD e sentir toda a adrenalina na estrada de chão, cascalho e pedra com uma largura de 3m à beira do  precipício.

Leia mais sobre a Death Road nesse artigo incrível!

Trajeto final da Death Road – Foto: Fayson Merege

 

Lugar clássico para as fotos em grupos e individuais – Foto: Fayson Merege

 

A primeira parte é feita na rodovia (absolutamente asfaltada e bem sinalizada) e o perigo é o tráfego principalmente dos caminhões. Também é nessa parte que a maioria atinge uma alta velocidade enquanto observa um cenário deslumbrante. A adrenalina da descida é indescritível e basta seguir todos os passos de segurança indicado pelos guias para não ter nenhum tipo de susto ou problemas. Em resumo, a duração em média é de 4h de descida, com algumas paradas (snacks + descanso + hidratação). O início da aventura começa acima dos 4000m e termina a 1000m, com um almoço + piscina. O Total do trajeto é de 65km.

Início do segundo trecho do asfalto – Foto: Fayson Merege

E claro que não poderia faltar o destino mais procurado por viajantes do mundo todo: O maior deserto de sal do MUNDO – O SALAR DE UYUNI

Foto: Fayson Merege

Alguns optam por fazer o tour de 1 dia e o comum é o tour de 3 dias. Algumas agências oferecem também tours de 4 e 5 dias. Eu optei pelo de 3 dias voltando para o Uyuni (a maioria segue para o Atacama). Fui em fevereiro na busca de pegá-lo com chuva e espelhado e a missão foi concluída com sucesso. Ainda fico sem palavras para descrever tudo o que vivi durante o tour, as paisagens que vi e os lugares que conheci.

Foto: Fayson Merege

Nesse cenário que encanta por suas planícies silenciosas e minimalistas às margens de Argentina e Chile, é impossível não se conectar com a natureza. Afirmo com absoluta certeza que serão os 3 dias mais incríveis da sua vida. Não se preocupe se não tem internet, luz elétrica, se terá que ficar sem tomar banho 1 dia, essas coisas são relevantes. Desfrute de um cenário que em todos os km muda entre montanhas que arranham as nuvens, vulcões, lagoas, pedras e desertos. Observe a beleza dos flamingos sem se preocupar em fazer uma foto linda. Silencie o seu coração! Brinque com as lhamas tentando fazer uma selfie, hehe.

Laguna verde à base do vulcão Licankabur – Foto: Fayson Merege

 

Foto: Fayson Merege

E como não se apaixonar por esse céu? Mas para conseguir essa foto, levantei as 4am à -5º. O céu é tão estrelado que é possível ver a galáxia a olho nú.

Eu sei que provavelmente você já tenha ouvido falar bastante da Bolívia e até pesquisado muito sobre ela, mas, espero de coração que o meu breve relato e as minhas fotografias o tenha inspirado a explorar o país e se encantar por sua beleza.

Sobre o(a) autor(a)

Fayson Merege

Fayson Merege

Fayson Merege, 27 anos, formado em Educação Física e Fotógrafo viciado em Documentários/Viagens
Insta: @faysonmerege
Facebook: facebook.com/faysonmerege

“No próximo horizonte, certamente há uma oportunidade nova que eu vou aproveitar. É isso que me faz seguir em frente”.

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