Marrakesh Marrocos

Os mistérios do Marrocos

Verônica Brandão
Escrito por... Verônica Brandão
Quando a gente pensa em África, logo passa aquela imagem na nossa cabeça, elefantes e leões em uma savana, zebras bebendo água em um rio cheio de crocodilos e antílopes saltando pelos descampados. Mas a realidade nem sempre é assim.

A primeira vez que tive a oportunidade de conhecer um país na África, foi totalmente diferente disso! Quando eu morava em Portugal, um rapaz ligado à Universidade em que eu estudava, reuniu um grupo de intercambistas para viajar ao Marrocos e mais que depressa eu me interessei pela aventura! Afinal, seria uma viagem exótica e isso logo me chamou a atenção.

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Aprendendo a usar os tecidos!

Havia ainda todo aquele mistério de se aterrissar em um país muçulmano. E sendo mulher, muitas moças evitam essas viagens, mas como iríamos em um grupo grande, isso não seria um problema pra ninguém.

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Para começo de conversa logo de cara já é tudo diferente! O alfabeto é outro, a fisionomia das pessoas é outra, a forma de se vestir, a cultura. “Mas tá, ok… é óbvio que é tudo diferente Verônica, cada país é diferente um do outro!” Sim! Isso é verdade. Mas o que eu quero dizer é que é tudo REALMENTE muito diferente, do que estamos acostumados no “ocidente” ou na Europa.

E eu como boa turista que sou, já cheguei no aeroporto querendo registrar todas essas diferenças que eu via, pois tudo era novo para mim mesmo tendo já tendo conhecido outros lugares. O que eu não sabia é que não se pode realizar nenhuma foto no aeroporto. Na verdade eles são muito rigorosos com fotos. Então em poucos minutos eu já fui abordada por um segurança, mandando eu apagar qualquer registro que eu pudesse ter feito. Tudo isso num árabe ou num francês de sotaque pesado! Imagina o susto! Ficar sem minha câmera logo na chegada!! Sendo assim, peça sempre autorização para realizar as fotos, caso contrário eles vão mesmo pegar sua câmera e tentar apagar o que quer que você tenha fotografado.

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Aeroporto

No aeroporto é tudo limpinho e organizado, mas isso não dura muito. Na verdade não dura até você precisar pegar um taxi. Eles nem sempre são bem conservadinhos e limpos. Mas não veja isso como um ponto negativo, é apenas diferente do que estamos habituados da Europa em geral, e isso faz parte do que é o mundo.

Andando pela cidade vemos portais lindos e construções todas num tom de terracota ou cores neutras, janelas coloridas e ruas empoeiradas. Tudo parece um grande deserto habitado, de sol forte e poucas árvores.

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No geral, o nosso “pacote de viagem” foi uma furada! As instalações em que nos hospedamos, o café da manhã que tínhamos e o transporte oferecido não passaram de uma latada, mas nem por isso deixamos de nos divertir.

Conhecemos Marrakesh e seu mercado central. Aprendi o quanto se é importante pechinchar nesses lugares e que isso não é nenhuma ofensa, na verdade é bem visto por lá! Faz parte da cultura e você ainda ganha respeito. E não tenha receio de jogar um valor bem baixo, até abaixo do valor que você acha justo, porque durante a negociação acaba-se encontrando um valor que você está disposto a pagar e que o comerciante ainda sairá no lucro! NÃO DUVIDE!  Eles jamais sairão perdendo!

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Mercado central

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Ainda no mercado central existem alguns artistas, assim como há também homens com cobras ou macacos que atraem os turistas para fotografias. Chega a ser divertido (apesar de eu não concordar com esse turismo que explora animais), mas tenha cautela. Se você realmente quiser fazer uma foto com os animais, peça autorização ao dono antes e sem receio combine o valor a ser pago. Assim, você evitará transtornos.

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Artistas (foto escondida)

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Cobras…

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…e macacos!

Marrakesh é um lugar mágico! Simplesmente! Logo saindo do mercado, com todas suas cores, produtos, comidas, danças e sons, a cidade pode ser admirada. E atenção aos sons! Buzinas, veículos, cavalos e orações. Ahhh as orações. É algo meio que de repente, uma voz começa a falar bem alto, vinda de uma caixa de som em uma torre. Subitamente, toda aquela movimentação para um pouco. Uma energia toma conta de tudo, 5 vezes ao longo do dia. É uma emoção.

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No geral as pessoas são divertidas, são bem humoradas e vão tentar se comunicar com você em qualquer língua. Eles vão dar preços nas moças em números de camelos. É exótico! É importante ficar (como em qualquer lugar) atento aos seus pertences, mas não deixe de perceber as coisas diferentes que acontecem ao seu redor.

Visitamos também o Jardim Majorelle. É um jardim botânico inspirado nos jardins islâmicos situado no centro de Marrakesh, onde funciona ainda um museu da cultura berbere e a entrada é baratinha. Ele foi criado em 1931 e posteriormente comprado por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em 1980, para evitar que o projeto de um complexo hoteleiro o destruísse.  Atualmente há um memorial em homenagem ao seu dono onde suas cinzas foram dispersadas. Lá existem mais de 3 mil espécies de plantas, além de peixinhos, sapinhos e tartarugas e é uma delícia deixar-se deslumbrar pelas cores azuis das construções, em meio a tanto verde.

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Seguindo para mais aventuras pegamos uma van, com banco de madeira, e viajamos longas 3 horas para conhecer uma montanha e uma pequena fábrica de óleo de argan. Lá eram manufaturados óleos com vários aromas e para vários fins, inclusive comestíveis. Foi lá que comi um dos melhores pães que já provei em toda minha vida, mas se me perguntar, não consigo saber onde foi esse lugarzinho!

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Produção do óleo de argan

Para finalizar a viagem, no dia seguinte partimos em uma longa jornada de 8 horas até o Saara, entre curvas e mais curvas em uma estrada que não cabia pouco mais que um carro. Eu aflita, fiquei na frente ao lado do motorista, um pouco assustada durante a noite, preocupada se o sono dele não chegava, e sem conseguir me comunicar de forma ativa. Chegando ao ponto de encontro, esperamos pelos camelos para a segunda parte da expedição. Foram mais 2 horas sobre os animais até chegarmos em nossas tendinhas no meio do deserto. Vimos um pôr-do-sol magnífico no meio de tanta areia. A água que podíamos beber era somente a que tínhamos levado. Mas a comida foi especial! Um jantar com cuscuz verdadeiramente marroquino, com frango e legumes e com direito ainda a muita música e dança.

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Estradinhas

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Camelos

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Nosso acampamento

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Pôr-do-sol

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Jantar marroquino

Depois desse jantar movimentado fizemos uma fogueira, sempre acompanhados por música e pessoas divertidas, assim como por um narguile muito bem preparado.

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Fogueira para nos esquentar para a festa!

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Narguile

Nos aconselharam a acordar durante da noite, no momento em que a lua já não estaria mais no céu, para que pudéssemos apreciar as luzes das estrelas. Algo impossível de se ver mesmo em qualquer cidade pequena. E sem dúvida acordar às 4 horas da manhã num frio desértico foi a coisa que já valeu a viagem toda! Na verdade, foi uma das coisas mais incríveis que já vi. O céu infinito de estrelas; jorradas, espalhadas por toda uma superfície distante de nós. Fazendo eu me sentir pequena como os grãos de areia e parte completa desse universo gigante.

Acho que já posso parar por aqui. Apenas a lembrança emociona. Ter isso como parte da minha história, já valeu a pena viver. E foi assim, que pela primeira vez pisei na África.

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Faça sua vida também valer a pena agora! Viva, Viaje!

Sobre o(a) autor(a)

Verônica Brandão

Verônica Brandão

Antes de tudo viajante do mundo, de livros e de histórias. Gosta do novo, do diferente e do que instiga a curiosidade. Aquariana, engenheira e aprendiz insaciável, quer trazer e registrar um pouquinho do gosto bom que é andar por aí.

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