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Pirenópolis – nossa luta em prol das riquezas que não podem ser compradas

Escrito por... Vivian

Este é o primeiro post no blog sobre o Brasil. E é justo começar com o meu estado – Goiás – que é pouco visado pelo turismo mas possui belezas naturais e experiências maravilhosas. Gostaria de escrever sobre os encantos do cerrado, mas infelizmente hoje meu texto é um desabafo. Um desabafo de quem teme a dobradinha dinheiro-poder.

Há alguns meses fui surpreendida pela liberação da construção de um empreendimento na cidade de Pirenópolis, cidade no interior de Goiás distante 120 km de Goiânia e 150 km de Brasília. Um condomínio de alto padrão com quase 200 apartamentos vai ser vizinho da Igreja do Bonfim e terá o “time sharing” como molde de negócio. Assim, quase 2400 pessoas serão donas de um apartamento (moderno) localizado em área tombada e disponível para  sublocação para turistas.

Primeiro vamos lembrar que Piri, como é carinhosamente chamada, não é uma cidade construída para o turismo. Essa não é a sua essência. Piri é uma cidade histórica, com raízes. Foi fundada em 1727 e guarda ainda hoje o jeitinho de cidade do interior, o charme que nenhuma cidade grande há de ter. Seu centro histórico é tombado como Patrimônio Histórico Nacional pelo IPHAN, com suas bem conservadas construções coloniais e ruas de paralelepípedo.

Eu, particularmente, já tive que cancelar um final de semana na cidade por não achar vagas em hotéis ou pousadas. Já tive que deixar de visitar uma cachoeira pois a quantidade máxima de pessoas por dia já havia sido atingida. A construção de prédios assim é muito mais do que aumentar a capacidade de hospedagem da região, é mudar a forma de turismo da cidade. É ignorar as consequências de um turismo de massa. É tapar os olhos para a infraestrutura disponível. É esquecer que cachoeiras e trilhas não são iguais a museus e shoppings.

pirenopolis

Piri é rica em iniciativas culturais, ambientais e sociais. É rica em gastronomia, nas belezas naturais e nos santuários ecológicos. É rica em charme. É rica em inspiração para artistas e artesãos. É rica em diversidade e consciência sustentável. É rica em herança histórica. É rica em riquezas que não podem ser compradas.

 

A mim não interessa se as normas da prefeitura foram atendidas. Se serão feitas adequações para infraestrutura nem se visualmente a construção não será destoante do resto da cidade. A mim interessa saber o impacto no meio ambiente,  nas cachoeiras e nas áreas de preservação.  E que fique claro que não é uma preocupação somente com esse empreendimento específico. É com qualquer atentado ao meio ambiente e aos recursos naturais em qualquer lugar do mundo. É uma luta contra todas essa irregularidades. É uma luta em prol do futuro que nós queremos.

Sobre o(a) autor(a)

Vivian

25 anos, goiana, sagitariana, engenheira e apaixonada pelo mundo. Compartilho aqui minhas experiências pelo mundo e incentivo você (é, você mesmo!) a viajar mais.

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